Haddad deve ser candidato ao governo de São Paulo

Até o início desta semana, Haddad vinha resistindo a assumir uma candidatura. Foto: Ricardo Stuckert/PR

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, indicou a aliados que vai disputar o governo de São Paulo nas eleições de 2026, após intensa negociação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT). A mudança de posicionamento ocorre depois de meses de resistência do próprio Haddad — que até recentemente afirmava que não pretendia ser candidato e queria se dedicar exclusivamente à campanha de reeleição de Lula — e de pressões internas crescentes dentro do PT e do governo para que ele aceite a issão no maior colégio eleitoral do país.

O episódio mais recente dessa articulação foi o jantar realizado na noite de quinta-feira (26) no Palácio do Alvorada, onde Lula conversou diretamente com Haddad, em meio a tratativas para definir a estratégia eleitoral no estado. Fontes internas informaram à imprensa que o presidente destacou a necessidade de um palanque forte em São Paulo para fortalecer a reeleição à Presidência e que o ministro tinha papel central nessa equação.

Até o início desta semana, Haddad vinha resistindo a assumir uma candidatura estadual. Em declarações públicas, ele chegou a afirmar que ainda não havia tomado uma decisão a respeito e que não discutiu o tema com Lula durante recente viagem oficial à Índia e à Coreia do Sul — apesar de intensos rumores e movimentações políticas nesse sentido.

Haddad chegou a declarar que deixaria o governo federal em fevereiro, mas que não tinha intenção de concorrer neste ano. Nas conversas públicas, ele destacou que pretendia colaborar com a campanha de reeleição de Lula, não como candidato, mas como articulador da agenda presidencial.

Esse posicionamento, no entanto, foi sendo confrontado por dirigentes petistas e membros do governo. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o ministro da Educação, Camilo Santana, foram veementes em suas declarações de que Haddad deveria “vestir a camisa” e disputar a eleição em São Paulo, sinalizando que sua participação não poderia ser uma decisão puramente individual. Camilo chegou a enfatizar que Haddad “não pode se dar ao luxo de querer tomar uma decisão individual” diante da importância estratégica da candidatura para o projeto político do PT e de Lula.

Haddad e a importância política de São Paulo

A insistência em trazer Haddad para a disputa paulista está diretamente relacionada à importância de São Paulo como maior colégio eleitoral do Brasil. Lula e líderes petistas vêm ressaltando que um candidato de peso no estado ajuda não só a consolidar a base na eleição estadual, mas também impacta diretamente a campanha presidencial, ampliando a mobilização de eleitores em um reduto decisivo para o número de votos em outubro.

Além disso, integrantes do PT lembram que, em 2022, Haddad foi o candidato petista mais competitivo ao Palácio dos Bandeirantes nos últimos anos, obtendo um desempenho expressivo na capital e em regiões metropolitanas — e que isso contribuiu para a vitória de Lula na eleição presidencial daquele ano.

Na última eleição para governador de São Paulo, em 2022, Haddad foi derrotado pelo então candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos) no segundo turno, com 44,73% dos votos válidos contra 55,27%, num pleito em que ambos se enfrentaram diretamente.

Mesmo com a derrota, o placar mostrou que Haddad teve um desempenho relevante — angariando mais de 10 milhões de votos — e foi considerado competitivo em áreas centrais como a capital paulista, onde superou Tarcísio em número de votos totais. Essa performance é citada por aliados do ministro como um dos principais argumentos para sua eventual nova candidatura, sob a ideia de que pode ampliar a presença do PT no estado e influenciar positivamente a eleição presidencial.

Embora Haddad ainda não tenha feito um anúncio oficial e negue ter tomado uma decisão definitiva, suas declarações a aliados de que não poderia recusar um pedido direto de Lula sinalizam uma virada na sua posição política e a preparação de sua pré-campanha no estado. Além disso, interlocutores próximos afirmam que ele deverá deixar o Ministério da Fazenda oficialmente até abril — cumprindo o prazo de desincompatibilização — para concentrar esforços na disputa pelo governo paulista.

A definição da candidatura de Haddad alinha o PT numa estratégia mais ampla de fortalecer palanques regionais para a reeleição presidencial e pode alterar significativamente o cenário eleitoral em São Paulo, consolidando uma corrida que já vinha sendo observada de perto por partidos de oposição e aliados.

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