Representantes da AMBTEM ocupam o histórico Palácio Saturnino de Brito para cobrar respeito e infraestrutura, denunciando o contraste entre o humanismo do patrono do saneamento e a lógica mercantil da gestão Tarcísio.
Por: Willians Bezerra, presidente da AMBTEM
A história oficial costuma ser contada através de vitrais e mármores, mas a história real é escrita com o suor de quem luta por dignidade. Recentemente, em reunião na sede regional da Sabesp, no histórico Palácio Saturnino de Brito, em Santos, a AMBTEM (Associação dos Moradores dos Balneários Tonhão e Estrela Marinha) reafirmou que o saneamento básico não é apenas uma obra de engenharia: é uma conquista da organização popular.

Neusa Cardoso, Guilherme Marques, Dr. João de Deus, Wilson Brito e Willians Bezerra, diretores da AMBTEM
O Legado Traído
O Palácio onde estivemos homenageia Saturnino de Brito, o patrono do saneamento no Brasil. Saturnino não era um mercador; era um humanista que via na água potável e no esgoto o alicerce da saúde pública e da civilização. Ele projetou cidades para o povo.
Hoje, no entanto, assistimos a uma tentativa de traição desse legado. Mesmo com a recente entrega da Sabesp ao capital privado pela gestão de Tarcísio de Freitas, nós, do Lado Morro de Mongaguá, lembramos que água é vida, não mercadoria. A privatização já mostra sua face mais perversa para o trabalhador: aumentos abusivos nas contas e a constante falta de água por todo o estado. Privatizar a Sabesp é punir as periferias e as comunidades que o lucro privado insiste em ignorar em nome de dividendos para acionistas.
Mongaguá: Caminho de Resistência
Nossa cidade carrega em suas veias o Caminho de Resistência. Por essas terras, no passado, homens e mulheres escravizados buscavam a liberdade rumo ao Quilombo do Jabaquara. Hoje, a resistência é contra a invisibilidade. A Rodovia Padre Manoel da Nóbrega divide Mongaguá geograficamente, mas não permitiremos que ela divida os nossos direitos.
Nossa comunidade, situada nas planícies do chamado “Lado Morro”, sabe o valor da organização. Foi através de uma longa luta política que, em 2025, celebramos a chegada da água potável. Agora, o desafio é o esgotamento sanitário e a fiscalização rigorosa das prestadoras de serviço que atuam em nome da Sabesp. Não aceitaremos um serviço precarizado em nome do lucro.
A Luta Continua
Nossa visita à sede regional teve um objetivo claro: cobrar respeito. Queremos o esgoto, mas queremos também que cada família seja tratada com a dignidade que Saturnino de Brito idealizou há um século.
Prestamos nossa solidariedade aos funcionários de carreira da Sabesp, que resistem ao sucateamento e mantêm a essência pública e técnica da companhia viva. A luta da AMBTEM é a luta das comunidades organizadas e dos movimentos populares que acreditam em um Estado que serve ao povo, e não aos acionistas.
Do Lado Morro para o Palácio, nossa voz não se calará. “A Sabesp é patrimônio do povo, e o povo segue organizado em luta!”



