A VI Semana Tereza de Benguela reúne debates, atividades culturais e ações comunitárias em diferentes cidades da Baixada Santista. A programação segue até o dia 8 de agosto, com oficinas, rodas de conversa, apresentações, exibições audiovisuais e discussões sobre democracia, justiça racial e bem viver em Guarujá, Mongaguá, Cubatão, Peruíbe e Santos. As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas pelo Instagram @semanaterezadebenguela.bs.
Organizada pelo Núcleo da Semana Tereza de Benguela da Baixada Santista, formado por coletivos, movimentos sociais, organizações populares e grupos de pesquisa da USP e da Unifesp, a iniciativa busca fortalecer a atuação de mulheres negras e ampliar o diálogo entre a produção acadêmica e as comunidades.
Segundo a pesquisadora Helena Ponte dos Santos, a Semana surgiu a partir da vivência de estudantes e pesquisadoras negras dentro da universidade, diante do racismo institucional e da necessidade de criar espaços coletivos de diálogo e fortalecimento.
A proposta, desde a primeira edição, é aproximar o conhecimento produzido nas universidades dos saberes construídos pelos movimentos sociais. A organização defende que esses conhecimentos sejam colocados em condições de igualdade, contribuindo para a busca de soluções para problemas concretos enfrentados pela sociedade.
Democracia e bem viver
Neste ano, a programação tem como tema “Aquilombar o Futuro: Mulheres Negras Construindo Democracia, Justiça e Bem Viver”. De acordo com Helena, a escolha está relacionada a debates atuais sobre reparação histórica, democracia e qualidade de vida.
A programação também aborda questões como a redução da jornada de trabalho, a inclusão da história afro-indígena nos currículos escolares e o enfrentamento à violência contra as mulheres.
Outro tema de destaque é a permanência de estudantes negros nas universidades. Para a pesquisadora, garantir o acesso ao ensino superior é apenas uma das etapas para combater as desigualdades.
Ela destaca que estudantes negros ainda enfrentam o racismo cotidiano, dificuldades econômicas e currículos que, em muitos casos, deixam de contemplar autores negros ou reproduzem perspectivas racistas. Para Helena, a universidade precisa compreender que a acessibilidade também envolve essas questões.
A pesquisadora defende ainda uma universidade mais conectada à realidade da população, com uma produção de conhecimento que dialogue com as comunidades, contribua para a melhoria dos territórios e responda às necessidades da classe trabalhadora.
A ampliação da presença de mulheres negras em espaços de pesquisa e liderança também está entre as pautas da Semana. O legado da escritora e ativista Alzira Rufino é citado como inspiração para novas gerações.
Palestras e debates
Ao longo da programação, pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes de movimentos sociais participam de encontros voltados ao combate ao racismo, ao machismo e às desigualdades.
A iniciativa também busca estimular a circulação do conhecimento produzido durante as atividades, fortalecendo a formação e a organização das comunidades envolvidas.
Encerramento terá atividades sobre violência contra a mulher
O encerramento da VI Semana Tereza de Benguela acontece no dia 8 de agosto, a partir das 14h, na Quadra da Escola de Samba Unidos da Zona Noroeste, em Santos.
A programação contará com oficinas, rodas de conversa, orientação jurídica, atendimento social e debates sobre o enfrentamento à violência doméstica.
A atividade também marca os 20 anos da Lei Maria da Penha e promove discussões sobre o aumento da violência contra mulheres negras. A organização destaca a necessidade de considerar, além das questões de gênero, os impactos do racismo e das desigualdades sociais.
Para Helena, o enfrentamento à violência contra as mulheres também exige a participação dos homens no debate e a responsabilização diante de comportamentos violentos.
A Semana Tereza de Benguela reforça, assim, a importância do diálogo entre universidade, movimentos sociais e comunidades na construção de ações voltadas à justiça social, à democracia e ao bem viver.
Imagem: Reprodução / Semana Tereza de Benguela da Baixada Santista


